não sei concentrar-me. não sei onde me devo focar, a que distância devo manter-me para ser o mundo. se me colo ao teclado vejo todo o teclado, pormenores de fabrico, defeitos de letra (tenho um m perneta e já não sei qual é o i o j ou o l) mas todo o quarto me passa ao lado. se me afasto do teclado percebo todo o compartimento, sei o que me rodeia, a que altura está o tecto de me cair, quantas paredes tem o quarto (quatro, tem quatro paredes) – oposição, perco o pormenor do erro. nada tão interessante como o erro. nada tão interessante quanto tudo.

o meio termo não existe.

é preciso calma, pergunto.
a resignação é mal vista.

é necessário medo.
é necessário o medo.

é essencial não te curvares.
é vital não te curvares.

pensamento erguido, caminha de costas.
de frente com o medo.

17/06/2009

sou o retrato de
um homem in

acabado.

17/06/2009

não me sinto bem, explico, não me sinto bem como quem diz bem como sendo costumeiro. não me sinto bem porque não me sinto, ou não me sinto como todos os dias, o que não implica que me sinta mal. o habitual é o bem e o que foge à normalidade o mal. não se pergunta se aquilo que se faz diariamente não é, na verdade, o mal deixando o bem para os momentos extraordinários, com quem diz os momentos que fogem à ordinariedade. o homem pode ser intrinsecamente mau, mau como quem diz cruel, em vez de sem qualidades. a falta de qualidades num homem não o torna mau, antes despido como se uma qualidade fosse uma camisola azul, desenhada para tapar a natureza humana. que, como vimos, é intrinsecamente – naturalmente – má. má como quem diz cruel.

17/06/2009

foi – é – tempo de mudança. terceira casa e terceiro nome. new beginnings.